segunda-feira, 1 de julho de 2013

PeloTeam na Rota das Aldeias Históricas


Por terras inóspitas do interior Portugal sitiámos algumas das aldeias históricas que constituem o GR22. Na expedição deste ano percorremos algumas das mais características aldeias portuguesas localizadas nas Beiras. Vejam aqui todas as fotos.

1º Dia: Sortelha-Monsanto (71 Km 1277 Acumulado)

Juntámos 20 rodas no autocarro do costume para rumar ao Km 0 desta aventura. Depois de planarmos pela A25 largaram-nos em pleno maciço granítico em que assenta a aldeia de Sortelha. Antes do tiro de partida houve ainda tempo para degustação de pastéis que o convidado de honra nos trouxe de Vouzela. De olhos e barriga cheia deixámos as magnificas vistas que este pequeno pedaço de Portugal nos ofereceu. 

A caravana seguiu a todo o vapor em direção a Malcata onde se sente a presença do lince-ibérico. Nesta reserva natural os pelos arrepiam-se com a carcaça de um animal de grande porte que foi repasto de algum felino que por aqui mostrou os seus dotes de caçador. Baixamos os flaps para descer até Meimoa. O relevo ondulado, com presença de bosques e áreas de matagal mediterrâneo levam-nos até à barragem onde contornamos o rio em direção ao almoço. O “Calhambeque” abriu as portas à bucha que todos esperávamos. 

No rescaldo deste repasto não foram só as barrigas esfomeadas que empolaram. Para sobremesa o Presidente decidiu presentear os colegas com um papo no pneu que foi degustado com mecânica de improviso. Depois do pequeno imprevisto seguimos em direção à mais das portuguesas aldeias. Com Penamacor ao longe apontamos a bússola a Monsanto que nos olhava de forma sobranceira lá do cima do seu castelo altaneiro. 

Aterramos no Chafariz de uma casa que sublinha o conceito de turismo rural. Com direito a suite para as bicicletas os pelos instalam-se no Cabeço de Monsanto (Mons Sanctus). Depois da visita da praxe aos penedos que se edificam na aldeia era tempo de retemperar forças com um jantar típico num pequeno restaurante do centro histórico. Deitamo-nos na companhia de uma marafona que nos contou a lenda deste símbolo da aldeia.

2º Dia: Monsanto-Castelo Novo (71 Km 1426 Acumulado)

Ao raiar do sol juntámos as tropas para um pequeno-almoço tradicional. Pão fresco com doces, compotas e um queijo típico enchiam a mesa de uma casa de outros tempos. À hora preferida dos relógios (10:10) partíamos para a 2ª etapa. 

Abrimos um alçapão temporal para descer uma calçada que há muito anos levava os romanos a estas terras. No trepidar desta emoção deixámos Monsanto para rumar a Idanha (a velha). Para fazer jus à palavra cruzamo-nos com alguns carros antigos que se concentravam na praça principal desta aldeia fundada nos primórdios da civilização romana. 

Para o almoço estava reservado um borrego com sabor a cabrito que em Santa Margarida o dono de um café recôndito nos preparou. De tarde o percurso foi feito numa tomada mais leve. Paulatinamente entramos em terras do Fundão e quando demos por ela estávamos a lanchar na sombra de uma fogosa cerejeira que nos encheu a barriga. Passámos a A23 sem pagar portagem (num viaduto que a sobrevoava) para fazer a aproximação a Castelo Novo. Do outro lado no sopé da Gardunha estendia-se a meta de mais uma etapa. 

Na pacatez da aldeia subimos ao topo do CASTELO para estudar a próxima tirada. Com serra a perder de vista preparamos os músculos para a etapa rainha. Antes da partida houve ainda tempo para um jantar bem regado servido na alcofa de mais uma casa senhorial que nos acolheu no colorido das portas que salpicam este lugar. 

3º Dia: Castelo Novo-Piódão (91 Km 3091 Acumulado)

Ao cantar do galo saltámos da cama para a etapa das etapas. O roadbook marcava mais de 3000 metros de subida que teríamos de ultrapassar nos 88 km que separam Castelo Novo do Piódão. 

O primeiro check point fixava-nos no sopé da serra da Gardunha que do alto das minas da panasqueira nos atraia para a mais dura das subidas do dia. Em 5 km de terra batida subimos 600 metros de cota até tocar nos 4 dígitos de altura. 

Apontamos a bússola para o almoço que nos serviram na entremeada de duas montanhas. Para sobremesa estava reservado um buffet de alcatrão queimado a 30 graus que foi degustado com vista para a serra do Açor. Com mais 600 metros deitados para trás das costas fixamos o alvo desta aventura. Num serrote de xisto à portuguesa recortámos momentos únicos que nos transportaram para a meta desta expedição. 

À hora prevista reencontramos o autocarro que nos tinha largado 230 Km antes. Foram 5700 metros de subida acumulada que nos permitiram conhecer algumas das melhores paisagens de Portugal. 

No papiro dos agradecimentos desenrolamos alguns dos predicados de mais um sucesso Peloteam: 
- Ao mestre de cerimónia que nos guiou milimetricamente pelos trilhos deste passeio; 
- Ao convidado de honra que nos adoçou a boca nos extremos do itinerário e não deu descanso ao dedo para fotografar todos os momentos; 
- À logística do transporte que permitiu as viagens de grupo; 
- Às anfitriãs das casas de turismo rural onde pernoitámos que sublinharam a palavra acolhimento da melhor maneira; 
- A todos os antepassados lusitanos que souberam preservar património tão valioso como são as aldeias históricas que serviram de cicerones a esta expedição; 
- A todos os PELOs que entrançados na palavra TEAM escreveram este argumento que agora faz parte da narrativa do grupo. 

Obrigado PELOTEAM!

4 comentários:

Pelo Pinto disse...

Uma descrição histórico-betetistica,a fazer lembrar uma mistura de José Hermano Saraiva/Marco Chagas muito bem conseguida,para assinalar mais um grande momento vivido por todos!

Serafim disse...

Mais uma grande reportagem a retratar na perfeição os grandes momentos vividos por este grupo fabuloso.
Ficou um episódio por retratar, mas respeitando a confidencialidade do seu protagonista, vai-nos sempre ficar marcado na memória.
Um muito obrigado e um grande abraço a todos.
Venha a próxima!!

Carlos disse...

O nosso orador no seu melhor.

Pêlo Renato disse...

Uma reportagem com o acumulado do passeio!

Sem dúvida três dias muito bem passados na companhia dos amigos. Foi pena, no entanto, não terem estado presente os restantes pêlos.

Venha o próximo desafio...

Pelises